Está bem, eu confesso que errei. Eu errei, está bem, me dê zero! Me dê bronca, castigo, conselho. Mas eu tenho o direito de errar. Só o que eu peço é que saibam que eu necessito errar. Se eu não errar vez por outra, como é que eu vou aprender. Pais, professores, adultos também já erraram à vontade, já fizeram sujeira e borrão. Ou vai dizer que a borracha
Vocês, que errando aprenderam, ouçam o que eu tenho a falar: Se até hoje cometem seus erros, só as crianças não podem errar? Concordem, eu estou aprendendo. Comparem meus erros com os seus. Se já cometeram os seus erros, deixem-me agora com os meus! Mais respeito, Eu sou criança! Os meus errinhos Pedro Bandeira Ed. Moderna p. 17 A reportagem abaixo foi retirada da Revista Nova Escola,
pois a achei interessantíssima ao abordar o tema.
Por Beatriz Santomauro Você aplica uma prova, estabelece critérios para a correção,
soma o valor de cada questão, atribui uma nota final,
comunica o resultado à turma e... O que vem depois? Se
a opção for seguir adiante com novos conteúdos, a avaliação
não terá cumprido boa parte de seu papel. A riqueza de
informações obtidas com base nas provas permite ao professor
entender em que estágio de desenvolvimento o grupo se encontra.
Para os estudantes, é um bom momento para rever os erros
e avançar naquilo que ainda não foi, de fato, aprendido.
"Faz toda a diferença analisar as dimensões dos equívocos.
Isso auxilia na indicação daquilo em que cada um precisa evoluir
e como trabalhar para alcançar melhoras", explica
Jussara Hoffmann, consultora de avaliação e professora
aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Para aproveitar essa oportunidade ao máximo,
o primeiro passo é organizar as informações
a serem interpretadas. Anote num diário
os dados sobre o desempenho de cada aluno,
tomando o cuidado de dividir os erros por categorias.
Ao fazer isso, você conseguirá um panorama dos problemas
mais recorrentes. Já é possível começar a planejar a ação. Alguns erros, mesmo que sejam individuais,
interessam a todos
A forma de atuar depende do número de estudantes com dificuldade
e do tipo de equívoco. Se 90% da sala não conseguir resolver uma
das questões, por exemplo, você provavelmente vai precisar retomá-la
com toda a turma. Algumas vezes, entretanto, mesmo um deslize
cometido só por um aluno também pode ser debatido. Levá-lo ao
quadro é a chance de trocar opiniões não apenas para mostrar onde
ele ocorre mas também para iluminar alguns aspectos do conteúdo
que, no momento da explicação original, podem não ter sido mencionados.
Essa abordagem costuma ser muito produtiva quando se consideram
os chamados "erros construtivos", aqueles que revelam hipóteses
de resolução. É o que ocorre, por exemplo, quando os pequenos
escrevem 1004 para registrar o número 104 (o que indica que se
apoiam na fala - "cento e quatro" - para cumprir a tarefa) ou colocam
na sequência os números 1, 2, 3 e 4 para mostrar que possuem
quatro objetos (o que aponta a necessidade de recorrer a uma
marca para cada objeto).
Atenção aos erros genericamente designados como de desinteresse:
eles podem indicar que o aluno não sabe o que fazer diante das
tarefas apresentadas. Uma prova em branco, por exemplo,
pode tanto significar que o estudante "não está nem aí" para o
que foi tratado como indicar a incompreensão da proposta feita.
Para diferenciar um do outro, o caminho é uma conversa direta
sobre as razões que levaram àquela situação. Entendê-las norteia
o encaminhamento que deve ser realizado: debater estratégias
para que o aluno não se desconcentre ou propor novos exercícios
e situações-problema para reforçar a compreensão.
Três respostas para a mesma questão, o que elas mostram
sobre o raciocínio do aluno e como avançar
Resolva o seguinte problema: Um artesão consegue produzir 15 ovos de Páscoa de 1 quilo e
20 ovos de 500 gramas por dia. Ele recebeu a encomenda de uma
loja e vai ter que fazer 1.620 ovos de 1 quilo. Em quantos dias
ele consegue fazer essa entrega?
Resolução 1
Tipo de erro Interpretação do enunciado O problema tem muitos dados
e o aluno consegue selecionar quais deve usar e quais deve descartar.
A dificuldade ocorre na hora de traduzir o que pede o
problema para a linguagem própria da Matemática: ele usa
a multiplicação em vez da divisão. 
Encaminhamento
Analise o contexto do enunciado: o que o artesão deve fazer? Se
produzir um pouco a cada dia, como saber o total? E, se souber
o total e a produção diária, como descobrir o número de dias
necessários para atender ao pedido?
Resolução 2
Tipo de erro
Desconhecimento do conteúdo A criança não seleciona os
dados que levam à resposta nem utiliza a operação correta.
Em vez disso, relaciona todas as informações numéricas do
enunciado com o procedimento que, provavelmente, lhe
parece mais familiar (a soma).
Encaminhamento
Proponha que a classe explique onde está o erro - dividir partes
do dividendo (16 por 15, 12 por 15 etc.) e não ele todo. Quando
se tenta dividir 16 por 15, a multiplicação por 100 fica escondida
(pois 1.600 = 16 X 100) e não pode ser desconsiderada no resultado.
BIBLIOGRAFIA
Jogo do Contrário em Avaliação, Jussara Hoffmann, 192 págs., Ed. Mediação,
tel. (51) 3330-8105 Vídeo: Erros no aprendizado da linguagem escrita: Para visitar o canal e assistir, clique em:
SUGESTÕES DE ATIVIDADES A PARTIR
DO TEXTO "MEUS ERRINHOS",
(Clique para ampliar as imagens)
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